sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

FUTEBOL FEMININO: DE MULHER PARA MULHER

Como um dérbi na NeoQuímica Arena ajuda a reforçar o novo patamar o futebol feminino no Brasil

A melhor jogadora de futebol do mundo em 2021, Alexia Putellas, declarou no começo de 2022: Se você acha que o nível de engajamento no futebol feminino é bom agora, você vai olhar para trás e rir daqui alguns anos. Vai ser uma loucura.

No dia 6 de fevereiro, fui até a Neo Química Arena para assistir ao Corinthians x Palmeiras pela Supercopa do Brasil Feminina – e me surpreendi com o público e com pequenos detalhes que me comovem.

Em 2019, até consegui ir a um jogo entre Corinthians e Flamengo no Pacaembu. Mesmo com portões abertos, em um domingo à tarde, apenas 3,8 mil pessoas acompanharam a vitória do Timão.

Se pensar que se passaram apenas dois anos entre esse jogo e a final do Paulista, na qual o Corinthians quebrou recorde de público ao colocar mais de 33 mil pessoas em seu estádio em uma quarta à noite, é motivo suficiente para acreditar que Alexia tem razão.

O crescimento do futebol feminino nos últimos anos é evidente, graças a alguns times que adotaram uma postura mais séria com os times femininos, injetando dinheiro, estrutura e de fato valorizando esse produto. Hoje podemos ver que realmente bastava apenas investimento.

O produto é bom. Não é o mesmo futebol do masculino. Ouso dizer é mais técnico, é mais jogado, pode ser mais lento, mas você consegue ver claramente jogadas e estratégias.

Mas com relação ao consumo, é excelente. Estamos em uma fase onde a independência da mulher é regra, não mais exceção. As mulheres querem ver outras mulheres no topo. A partir do momento que a gente vira a chave e vê que pode ajudar outras mulheres dando um mínimo de engajamento, acompanhando as redes sociais dos clubes femininos, das atletas e das competições, chegamos longe.

Consumir o futebol feminino não é tão fácil. Poucos portais têm cobertura específica sobre os times. O que se tem são matérias soltas em meio às mil matérias sobre o futebol masculino.

Mas isso está mudando. Canais abertos como Band e Globo já colocaram jogos em seus horários “nobres”, e acredito que pouco a pouco vamos – me incluo aqui, pois consumo – ganhando espaço em todos os lugares.

Mas voltando ao Dérbi Paulista. O que mais me emociona é ver o quanto a torcida do Corinthians abraçou essa ideia. Era domingo de manhã, ingresso custando R$ 40, um clássico, mata-mata, um calor de matar… E mesmo assim, mais de 13 mil pessoas foram até Itaquera. Cabe destacar que o jogo também foi transmitido pela Rede Globo em canal aberto.

Para mim, o mais legal é ver as mulheres abraçando o futebol feminino. Na NeoQuímica Arena, as mulheres eram a maioria no domingo – pelo menos ali no setor oeste. Ver as meninas com camisas com os nomes das jogadoras e ver que elas reconhecem cada uma, já cornetam, é demais!

O que o Corinthians feminino tem vivido é muito surreal, mas é muito natural. O Timão percebeu algo que muitos ainda não perceberam: que mulher consome. Consome conteúdo, consome camiseta…

A gente gosta de gastar, de comprar, e quando o produto é bom, como é o Corinthians campeão de tudo em 2021, a resposta vem em forma de interação e consumo da marca.

Além do consumo, jogos do feminino são oportunidades para muitas mulheres irem aos jogos sem medo. O clima é diferente, muitas famílias inteiras acompanhando, e é assim que uma nova geração já vai se acostumar com o fato de que é normal ver uma mulher jogando bola, que não precisa diminuir o gol, que é competitivo, que vale a pena investir.

Eu realmente me emociono quando vejo esse crescimento absurdo do futebol feminino nos últimos anos e tenho certeza que é só o começo!

Você, mulher, que acompanha futebol e acha o feminino meio chato meio  e lento, dê uma chance ao futebol feminino, acompanha teu time ou adota um novo. O mundo precisa que as mulheres apoiem as outras mulheres, e o futebol feminino precisam de você.

Por: Kamila Padilha
Imagem: Rodrigo Gazzanel/Agência Corinthians

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